quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Tributo a Leonard Cohen

As homenagens ou tributos que se prestam a um cantor, que desapareceu, envolvem sempre uma série de artistas que  foram tocados por ele, de algum modo. Fazem interpretações magníficas de canções que nos encantam pelo talento e emoção que nelas colocam.
Leonard Cohen, além de poeta e escritor, foi um grande compositor e cantor. Foi-lhe prestado um esplêndido Tributo, em 2017.
Eis duas belas interpretações, seguidas de duas excelentes canções na inconfundível voz do seu autor: Leonard Cohen.

Damien Rice, em  “Famous Blue Raincoat” , Tower Of Song Tribute Leonard Cohen 2017, Full HD

Adam Cohen & Damian Rice, em “The Partisan”, Tower Of Song Tribute Leonard Cohen 2017, Full HD

Leonard Cohen, em  Hallelujah.

Leonard Cohen, em Dance me to the end of love.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Um livro com dedicatória

 A você, hipócrita leitor, meu igual, meu irmão (por supuesto!)
A você, hipócrita leitor, meu igual, meu irmão (por supuesto!)
Por Marcelo Franco
Há algo de muito íntimo em receber um livro com dedicatória: nestes tempos dominados pelo computador e pela pressa, ler algo escrito pelo próprio punho da pessoa que se estima pode ser uma experiência rara e emocionante

“Para Mercedes, por supuesto”: assim Gabriel García Márquez dedicou, para minha inveja, “O Amor nos Tempos de Cólera” a sua mulher, escancarando todo o seu amor com apenas duas palavrinhas — “por supuesto”. Na edição brasileira que tenho deste livro que há muito tempo acompanha os meus devaneios literários, meu pai escreveu a minha mãe: “Para você, o amor nos tempos do… amor” (romantismo que compensou dedicando “A Terrorista”, de Doris Lessing, com ironia — “Leia, mas não seja”. O conselho deve ter sido seguido, pois o casamento permaneceu firme). Já noutro exemplar, espanhol, um grande amigo me homenageou: “A mi hermano Marcelo Franco, ésta que es la más bonita novela escrita en Latinoamérica en la lengua de Cervantes”. Portanto, mantenho três edições do livro de García Márquez nas minhas estantes sempre atulhadas: uma toda anotada por mim e as duas com dedicatórias — vício de bibliómano.

Mercedes: por supuesto
Gabriel García Márquez e sua mulher Mercedes: por supuesto!
Ler com atenção e coleccionar dedicatórias é com certeza um dos sinais distintivos da bibliomania. Na verdade, uma das formas de reconhecer um bibliomaníaco é o facto de que lemos de fio a pavio qualquer livro: as orelhas, a dedicatória, as notas de rodapé, as referências bibliográficas e até o cólofon. Holbrook Jackson, autor de uma preciosidade criminosamente ainda não traduzida no Brasil, “The Anatomy of Bibliomania”, reservou um capítulo inteiro de seu livro para discorrer sobre o prazer de coleccionar livros com pedigree, aqueles que têm dedicatórias ou anotações de quem os possuiu. No meu caso, não sou excepção à regra: venho há anos comprando livros dedicados pelos próprios autores e consegui alguns itens dos quais me orgulho com exagero talvez doentio: Pedro Nava, Afonso Arinos, Erico Verissimo, Rubem Braga… Mas se esta faina de acumulação é estranha, Holbrook também nos lembra que a bibliomania causa menos males do que, diz ele, a “sanidade dos sãos”. Acho que procede (aliás, é curioso que a bibliomania seja vista com estranheza enquanto a cinefilia desfruta de status de actividade essencialmente intelectual. Mas não se animem os cinéfilos: a julgar pelos cadernos de cultura dos jornais, a leitura de quadrinhos já está quase ocupando o seu lugar).

Tenho fama de ser bom “dedicador” de livros. Amigos pedem-me conselhos quando se sentem embaraçados com a folha em branco e a necessidade de escrever nela algumas linhas para que o presente fique, por assim dizer, mais personalizado. Creio mesmo que esta minha pequena glória não seja imerecida e, para mantê-la, tenho minhas regras e truques. Revelo aqui apenas um: em desespero, grito por socorro — por exemplo, adaptei para uso próprio, muitas vezes, aquela dedicatória feita por meu pai, “Para você, o amor nos tempos do… amor”. Mas, para minha danação eterna, tendo à verborragia quando Cupido entra em cena. Há alguns anos, quando aquela que desorganizou o que estava organizado entrou em minha vida, passei a dar-lhe dezenas de livros, todos com longas e digressivas dedicatórias. Em troca, ganhava dela livros e presentes com cartões — quando havia algum cartão — com poucas linhas, geralmente algo directo do tipo “Para Marcelo” ou “Feliz aniversário”, e essa concisão, comparada com os meus cartapácios, me roubava noites de sono. Não gosto de pensar que meu caos interno tenha ficado preservado em dezenas de dedicatórias amontoadas em estantes alheias (há aí, percebo agora, uma subtil e freudiana forma de poder na relação entre um verborrágico e uma comedida). Contudo, noutras vezes acertei, ainda que também estivesse confuso: a uma mulher especial que meus transtornos não permitiram que fôssemos além, digamos, de uma espécie de modus vivendi sentimental, dei “Amor em Veneza”, de Andrea di Robilant, e, aproveitando o próprio título impresso na folha de rosto, escrevi: “Para B., AMOR EM VENEZA — e também em Goiânia”.
Em “O Complexo de Portnoy”, de Philip Roth, estruturado como se fosse uma longa sessão de análise, apenas repeti a única frase que o psicanalista diz a Portnoy depois de mais de duzentos e cinquenta páginas de reclamações do seu paciente (talvez, imagino, como reconhecimento da minha própria tagarelice): “Para B.: agora a gente pode começar?”. Tenho o consolo de pensar que ela, daqui a muitos anos, possa dar de cara por acaso, numa tarde preguiçosa ou numa noite insone, com esses livros perdidos nas estantes e, lendo o que escrevi, sinta condescendência pela minha desorganização sentimental, ternura pelo pouco que tivemos e uma vaga decepção pelas promessas não cumpridas dessas dedicatórias.
(Sigo pela senda romântica e me traio revelando outro truque: para os namorados, os sonetos de amor de Camões nunca falham. Ninguém resistiria a estes versos, ainda que eventualmente transcritos sem menção ao autor: “Mas, conquanto não pode haver desgosto/Onde esperança falta, lá me esconde/Amor um mal, que mata e não se vê:/Que dias há que na alma me tem posto/Um não sei quê, que nasce não sei onde,/Vem não sei como, e dói não sei por quê”. Ou estes: “Porque é tamanha a bem-aventurança/O dar-vos quanto tenho e quanto posso/Que, quanto mais vos pago, mais vos devo”. Usem, mas não espalhem a ideia. Ou usem e digam que os versos são do Renato Russo.)
Francine Van Hove
Há um clássico problema decorrente de dedicar livros: pode-se encontrá-los num alfarrabista. Como agir? Bem, há o método “Naipaul” e o método “Shaw”. Parece que V.S. Naipaul teria encontrado um livro por ele dedicado a Paul Theroux, seu amigo fraterno transformado desde então em inimigo íntimo. Já George Bernard Shaw viu num alfarrabista um livro que dedicara certa vez a alguém.  Comprou-o e dedicou-o novamente — a primeira dedicatória: “Para …, com afecto, G.B.S”; a segunda: “Para …, com renovado afecto, G.B.S.”.
Se essas histórias são realmente verdadeiras, não sei, mas um passeio por alfarrabistas em Goiânia mostra amizades e amores traídos à venda e, o que talvez seja pior, expostos à permanente curiosidade de quem nem mesmo pretende comprar aqueles livros. Recebi de amigos algumas pérolas com dedicatórias, como “Marcelo, se já tiver este livro, devolva-o a mim”, ou outra, feita num exemplar de “Jaime Bunda, o Agente Secreto”, do angolano Pepetela, que o pudor, meu casto leitor, me impede de transcrever aqui. Se fosse eu o autor de tão elegantes linhas, não gostaria de vê-las tornadas públicas. Talvez a solução seja usar o clássico “Com amizade” e assinar apenas o primeiro nome, o que diluiria a possibilidade de reconhecimento.
Percebo que derivei pelo rumo das dedicatórias feitas por quem presenteia o livro, então voltemos à vaca fria das dedicatórias feitas pelos próprios escritores. Tenho as minhas preferidas. De imediato, lembro-me de “O Pequeno Príncipe”. Se o encanto do livro perdeu-se por conta das excessivas referências em concursos de miss, ao menos ainda podemos nos deliciar com a dedicatória de Antoine de Saint-Exupéry a Léon Werth. Primeiro, ele pede perdão às crianças “por dedicar este livro a uma pessoa grande”; depois, explica os seus motivos; por fim, ele se emenda: “Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. (Mas poucas se lembram disso.) Corrijo, portanto, a dedicatória: a León Werth quando ele era pequeno”.
Muitas outras são as dedicatórias famosas na literatura mundial, desde a de Cervantes, que suplicou longamente ao Duque de Béjar, Marquês de Gibraleón, Conde de Benalcázar e de Bañares, Visconde de Puebla de Alcocer, Senhor das Vilas de Capilla, Curiel e Burgillo para que recebesse o seu “O Engenhoso Fidalgo D. Quixote de La Mancha” sob sua protecção, até a de Baudelaire, que encerrou o poema-dedicatória de “As Flores do Mal” com esta quadra (na tradução de Ivan Junqueira): “É o Tédio! — O olhar esquivo à mínima emoção,/Com patíbulos sonha, ao cachimbo agarrado./Tu conheces, leitor, o monstro delicado/— Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!”. Da pusilanimidade lamuriante à ofensa descarada, pode-se dizer. No Brasil, fiquemos com Machado, que fez Brás Cubas iniciar as “Memórias Póstumas” com uma mórbida — e hoje famosa — dedicatória: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico com saudosa lembrança estas Memórias Póstumas”. O grande Harold Bloom, que considera Machado de Assis uma espécie de milagre, recusa-se a citar essa dedicatória em “Génio” por achá-la “terrível demais”. Não me consta que o verme tenha reclamado.
Mas esses momentos de pura literatura na forma de dedicatória são excepções. Um rápido olhar sobre os livros atulhados na imensa bibliopilha de livros não lidos em que se transformou meu apartamento parece mostrar que mesmo os grandes escritores são adeptos da simplicidade na hora de dedicar os livros que, com certeza, custaram a eles angustiosas horas de ponderações sobre le mot juste — há uma infindável colecção de dedicatórias reduzidas ao mínimo possível: “Para Ida” (Ralph Ellison, “O Homem Invisível”); “Para H.L.” (Philip Roth, “Nêmesis”); “A Phil Stone” (William Faulkner, “O Povoado”); “A Pilar” (José Saramago, “Todos os Nomes”). Às vezes pode ser divertido, mesmo nas mais sucintas dedicatórias, acompanhar as mutações de afecto, como no caso de Hemingway, que começou com “Este livro é para Hadley e para John Hadley Nicanor” (“O Sol Também se Levanta”), homenageando a primeira mulher e o filho, passou por “Este livro é para Martha Gellhorn” (“Por Quem os Sinos Dobram”), sua terceira mulher, e terminou com “A Mary, com amor” (“Do Outro Lado do Rio, Entre as Árvores”), a quarta e última esposa. Não sei se Vinicius de Moraes seguiu o mesmo exemplo, mas, se o fez, talvez não tenha escrito livros suficientes para todas as musas.
Porém, há quem consiga endurecer sem perder a ternura. A crítica literária Cristina Nehring, no curioso “Em Defesa do Amor”, não deixa de ser amorosa ao mesmo tempo que é sucinta: “Transeunte, amante, guerreiro, idealista: este livro é para você”. E há o oposto das homenagens mínimas, os livros que são eles mesmos longas dedicatórias, geralmente escritos para narrar histórias de pessoas queridas que já morreram ou que estão doentes: o jornalista Calvin Trillin, por exemplo, escreveu o belo e surpreendentemente engraçado “Sobre Alice” depois da morte de sua esposa, que foi o que também fez Joan Didion, autora de “O Ano do Pensamento Mágico”, sobre a morte do marido e a doença da filha. Mas o campeão da categoria de dedicatória em forma de livro é, claro, “Carta a D.”, que o filósofo André Gorz escreveu para sua moribunda companheira de toda a vida — o livro começa com estas palavras que nunca deixam de me emocionar: “Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher”. Uau! (Gorz depois fez outra, digamos, dedicatória à esposa desenganada: matou-se com ela num pacto suicida.)

André Gorz e sua mulher Dorine
André Gorz e sua mulher Dorine: uma das maiores declarações de amor da história da literatura
Há algo de muito íntimo em receber um livro com dedicatória: nestes tempos dominados pelo computador e pela pressa, ler algo escrito de próprio punho por pessoa que se estima pode ser uma experiência rara e emocionante. E há sempre o prazer de tentar descobrir novos significados naquilo que a aparente simplicidade das palavras pode ocultar por tartufice. Anne Fadiman, autora de “Ex-Libris: Confissões de Uma Leitora Comum”, um livrinho que eu lamento não ter escrito, lembra que escrutinar as palavras da dedicatória feita por uma pessoa amada é exercício comum de namorados aflitos — a depender da ênfase dada a cada palavra, declarações de amor eterno podem surgir. Eu mesmo passei noites e noites na companhia de Jacques Derrida para desconstruir uma longa dedicatória que trazia, no segundo parágrafo (havia cinco), estas palavras: “Gostar de beleza é fácil. E, surpreendentemente, quando ela se apresenta de maneiras inesperadas é ainda mais fácil”. Ainda não entendi por que o inesperado seria mais fácil, e deve ser por isso que perdi a moça e mantive o livro (e creio que fui chamado de feio). Também já ganhei uma colectânea das tragédias de Shakespeare na qual uma esperançosa admiradora escreveu: “Para Marcelo, a fim de que um dia entenda”. Passaram-se quase vinte anos, entro a passos largos na meia-idade e ainda não entendi. Aliás, não entendi nem mesmo o que seria aquilo que deveria tentar entender — não entender tem sido o meu fado.

Outra digressão: é também Fadiman, citando o nosso já mencionado Holbrook Jackson, que lembra a proeza de Lorde Byron escrevendo duzentas e vinte seis palavras para a Condessa Teresa Guicciolini num exemplar de “Corinne”, de Madame de Staël. O fogoso poeta terminou sua dedicatória com um apelo de fidelidade: “Eu mais do que a amo, e não consigo parar de amá-la. Pense em mim algumas vezes quando os Alpes e o oceano nos separarem — mas eles jamais o farão, a menos que o desejes”. Falta-me o título de nobreza, mas ao menos empato com Byron em matéria de verborragia e excessos melosos.
Como tudo na vida, há regras a serem obedecidas, pois descubro — ainda no livrinho de Fadiman — que existe uma etiqueta para a dedicatória: devemos escrever no falso-rosto, pois a folha de rosto é reservada para o autor do livro. Ora, ora. Eu, como a própria Fadiman, venho há anos estragando centenas de folhas de rosto — quando estou inspirado, começo no falso-rosto, passo ao seu verso, continuo na folha de rosto e de novo no verso. Volto às minhas estantes e vejo, surpreso, que muitos dos livros a mim dedicados o foram correctamente. Por que ninguém me disse isso antes? (A propósito: a suprema falta de elegância seria dedicar um livro de etiqueta na folha de rosto?)
Sim, tudo isso é de pouca importância e pequeno e talvez seja somente o exercício de minúsculas vaidades  em agitações desnecessárias, mas nossas glórias e tragédias quotidianas são também pequenas e pouco importantes (foi Shakespeare quem escreveu que as maneiras como falhamos a vida são a própria vida?). Por isso, sei que tenho em mim uma dedicatória ainda não escrita e que porei num livro que ainda não comprei e com o qual presentearei uma pessoa que ainda não conheci — e meu pequeno momento de sinceridade e desnudamento poderá ser uma aragem numa calmaria entediante ou uma bonança depois de um cataclismo. Ou, caso eu consiga transmitir pelas palavras meus sentimentos mais profundos, talvez fique, tal qual marca feita com ferro em brasa, como memento do encontro da minha vida imprecisa e vã com essa outra vida que terá me levado a escolher um livro e nele depositar as minhas próprias palavras, algo sagrado para mim, que sempre tento, e não consigo, entender os mecanismos de funcionamento do mundo nos livros. E, não fôssemos nós humanos tão pouco atentos ao próximo, tudo isso poderia ser também — ah, suprema glória! — sagrado para quem receber na forma de dedicatória meus pequenos e sobretudo tristes instantes de fraqueza e, compreendido o carácter ritualístico de um gesto só na aparência menor, porventura minhas palavras possam abrir uma brecha no entendimento de tal pessoa por ora apenas imaginada e iluminá-la para que perceba que se render ao amor ainda pode ser uma das riquezas de nossas vidas. Sim, há esse livro no qual escreverei palavras talvez aflitas ou talvez resignadas, e haverá uma pessoa que as receberá — por supuesto." Crónica de Marcelo Franco e  Pinturas de  Francine Van Hove, Revista Bula, Brasil.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Curiosidades excêntricas da Europa

Portugal tem uma das dez atracções mais excêntricas da Europa.
Descubra qual é.
O jornal britânico elaborou uma lista com as dez atracções mais excêntricas da Europa. Uma delas são os jardins do Palácio de Monserrate, em Sintra. Conheça as restantes.
Mais uma vez, Portugal continua a estar nas bocas do mundo. Desta vez, pelas suas atracções turísticas de Natureza. Numa lista publicada pelo The Guardian (conteúdo em inglês), é em Sintra que está uma das dez atrações mais excêntricas da Europa. Os jardins de William Beckford, no Palácio de Monserrate, estão entre as atracções aconselhadas aos viajantes que queiram visitar locais mais peculiares.

Palácio de Monserrate, Sintra

Na pitoresca vila de Sintra, encontramos o Palácio de Monserrate com jardins que merecem destaque a nível internacional. “Como se Sintra já não fosse suficientemente excêntrica”, começa por ler-se no artigo. “Cascatas, cursos de água acompanhados por arcos de fachada gótica, uma capela e uma enorme colecção de plantas” são alguns dos pontos de maior relevo, somado a “tudo o que se come ou se bebe é esplêndido“. Com uma chamada de atenção para o estado actual do palácio, que “já viu dias melhores”, não deixa passar em branco “os concertos na sala de música bastante original”.

Mina de sal, Roménia

Descrita pelo The Guardian como “uma experiência surreal“, a Salina Turda é uma mina de sal, na Transilvânia, localizada a 120 metros de profundidade. Foi construída no século XVII e usada, ainda que por pouco tempo, durante a Segunda Guerra Mundial como abrigo das bombas. Mais tarde, tornou-se numa espécie de armazém para queijo, tendo sido convertida recentemente num parque temático subterrâneo, com uma roda gigante, campo de mini-golfe, pista de bowlling e ping-pong. Para além disso, os utilizadores podem ainda explorar a mina através de barcos a remo no lago subterrâneo.

Museu do Porco, Alemanha

Bastante peculiar é, também, este museu alemão. Localizado em Stuttgart, o Schweine Museum é um museu localizado num antigo matadouro e que tem expostos cerca de 50 mil produtos relacionados com o mundo suíno, espalhados por três andares e 25 salas. O museu é destinado especialmente ao público infantil, com objectos escondidos ou visíveis apenas através de pequenas janelas que devem ser abertas. O britânico destaca ainda o restaurante do museu, “onde a carne de porco e o presunto dominam o menu, obviamente”.

Fontes do Truque do Palácio de Hellbrunn, Áustria

Criadas pelo príncipe arcebispo de Salzburgo, as Trick Fountains no Palácio de Schloss Hellbrunn, também conhecidas como “fontes-truque”, tinham como objectivo enganar os convidados da realeza. À volta de uma enorme mesa de banquete, existiam jactos de água colocados propositadamente para os visitantes mais desprevenidos. Hoje, a tradição mantém-se e, sem estarem à espera, as pessoas que se sentam na mesa são apanhadas de surpresa com jactos de água que saem do subsolo. O jornal destaca ainda “os passeios pelos belos jardins”, óptimos para um “dia caloroso de verão”.

Casas de banho com vista para a montanha, Andorra

Este é, talvez, o local mais estranho de todos. Se passar em Andorra, a vista estará lá à sua espera. Na estância de ski de Grandvalira, há uma casa de banho totalmente fora do comum. Quando usada oferece uma vista única para a montanha. “Do lado de fora tem vidros reflexos mas, no interior, os vidros são transparentes“, escreve o The Guardian. Apesar de ser “um pouco desconfortável no início”, o jornal garante que facilmente o viajante se habitua.

Museu da Aviação, França

Espalhados pelos jardins do Castelo de Savigny-lès-Beaune, na região francesa de Borgonha, há cerca de inúmeras aeronaves disponíveis para serem apreciadas pelos mais curiosos. Desde helicópteros, um hovercraft, e vários motores com centenas de anos, há “milhares de modelos de veículos” expostos, culminando numa experiência “estranha, mas fascinante”, lê-se no artigo.

Torre de televisão Žižkov, República Checa

“Votado como o segundo edifício mais feio do mundo”, a torre Žižkov não deixa de ser excêntrica para o jornal britânico, pelo “interessante desvio da arquitectura histórica do centro da cidade” de Praga. No seu interior há um miradouro e um restaurante, acompanhado de um bar de cocktails que “serve misturas deliciosas em tubos de ensaio”. No topo, os visitantes podem apreciar as vistas da cidade, sentados em assentos de vidro pendurados no tecto.

Museu do Cogumelo, França

Este local foi descoberto pelo The Guardian durante um passeio familiar. Localizado na Cave des Roches, a leste de Tours, esta atracção envolve “um fascinante e bizarro passeio entre cavernas pelo mundo dos cogumelos franceses“. Outrora uma antiga pedreira, este Museu dos Cogumelos tem sete níveis subterrâneos para explorar, capazes de tornar qualquer visitante num fã deste fungo.

Museu do Gato, Holanda

Localizado em Amesterdão, este museu dedicado especialmente aos gatos cativou o jornal britânico, pela “exploração do papel do gato na arte e na cultura ao longo dos séculos”. Especial destaque para o felino JP Morgan que inspirou o fundador, Bob Meijer, a criar este museu e que, no seu 15º aniversário, recebeu notas de dólar dos Estados Unidos em sua homenagem, com a cara de um gato ao invés do rosto de George Washington.

Parque de Esculturas, Lituânia

O último elemento desta lista fica no sul da Lituânia, num “cenário bonito de floresta”. Espalhados por um jardim imenso estão várias esculturas em homenagem a nomes conhecidas da era soviética, como Marx, Stalin e Lenin, que foram “resgatadas depois de terem sido abandonadas pelo dono após a queda do comunismo”, escreve o The Guardian.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Poesia e Liberdade

Nadezhda Teffi (1872-1952);
 Photo by Fine Art Images/Heritage Images/Getty Images
Poetry and freedom
ANNA ASLANYAN
The flowered garland from me wrench,

Break in my hand the pampered lyre . . .

I sing of Freedom’s conquering fire,
Scourge vice enthroned on royal bench.


"Pushkin wrote the ode “Liberty” in 1817, aged eighteen. It became one of the reasons the Russian authorities sent the poet away to the southern provinces. His exile was followed by nationwide fame – indeed, canonization. The centenary of Pushkin’s birth in 1899 was a pompous occasion; the centenary of his death in 1937, ditto; his birthday, June 6, was given national status in 1997 and has been celebrated as the Russian Language Day since 2011.
On June 7, the Pushkin House Russian Book Prize 2017 was awarded at the Charterhouse in London. Simon Franklin, professor of Slavonic Studies at Cambridge University, said that he and his fellow judges had to sift through more than a hundred Russia-related titles, looking for works that were informative, accessible and free of stereotypes. The six shortlisted books, all published in 2016, share these qualities; they are also, each in its own way, linked to poetry and freedom.
The House of the Dead: Siberian exile under the Tsars by Daniel Beer paints a land populated by convicts, among them the Decembrists, liberal revolutionaries who plotted a failed palace coup in 1825. Pushkin was close to many of them, although the Decembrists thought him too flippant for their secret society. His “Message to Siberia” is addressed to those of them whose punishment was exile:

Each hateful manacle and chain

Will fall; your dungeons break asunder;

Outside waits freedom’s joyous wonder
As comrades give you swords again.


In The Romanovs: 1613–1918, Simon Sebag Montefiore tells the story of Russia’s imperial rulers. One chapter touches on the relationship between Nicholas I and Pushkin, which involved censorship and played a part in the poet’s death in 1837. Rumours of his wife’s infidelity enraged Pushkin, and Nicholas was one of the main suspects, although he denied any impropriety. Unable to challenge the tsar to a duel, Pushkin fought with an obvious suitor, George D’Anthès, and was mortally wounded. Reaction to his death was overwhelming. To quote Montefiore, “Nicholas would have been amazed to learn that his own triumphs have been overshadowed in historical memory by this mere poet who would be revered as Russia’s true royalty”.
The imperial theme also features in Simon Morrison’s Bolshoi Confidential: Secrets of the Russian ballet from the rule of the Tsars to today, as does that of freedom, both artistic and political, for the theatre has always been involved in power games of various kinds. It traces the history of the famous institution since its foundation in 1776, which “travels hand in hand with the history of the nation”. The Bolshoi has always lived and breathed drama of various kinds, including an acid attack and a double suicide pact. Archaeological findings locate the original theatre building 136 to 168 feet away from where it was previously believed to have been, placing it “that much closer to the Kremlin”.
Anne Garrels chose Chelyabinsk, a city 1,000 miles east of Moscow, a nuclear centre with a rich human geography, to research Putin Country: A journey into the real Russia. While there appears to be little poetry in the city’s life, the book points to parallels between freedom of speech in the nineteenth century and today: poets are no longer being sent into exile, but journalists still get killed and maimed.
This year the prize was extended into two awards, one of them given to a book originally written in Russian. Memories: From Moscow to the Black Sea, translated by Robert Chandler, Elizabeth Chandler, Anne Marie Jackson and Irina Steinberg, charts a journey made by Nadezhda Lokhvitskaya, who wrote under the pseudonym Teffi, in 1918–19. A popular author, she was merely going on a reading tour, but the Civil War forced her to leave Russia for good. She dabbled in poetry and belonged to a bohemian circle that was doomed under the Bolsheviks. In her memoir, Teffi remembers the poet Maximilian Voloshin arriving in Odessa “in the grip of a poetic frenzy”: “Wherever he went, Voloshin was using the hum – or boom – of his verse to rescue someone whose life was endangered”.
The English-language winner of this year’s prize is The Russian Canvas: Painting in Imperial Russia, 1757–1881 by Rosalind P. Blakesley, a “book about creative, occasionally bloody-minded people”, as the author said in her acceptance speech. It spans the period between the foundation of the Academy of Arts in St Petersburg and the assassination of Alexander II. Illustrations in this lavishly produced volume include two portraits of Pushkin, both painted in 1827: Vasily Tropinin’s work, “where the poet is somewhat distrait”, opposite Orest Kiprensky’s masterpiece, in which he is “arrestingly stylish, groomed, self-contained”. “I see myself as in a mirror, but this mirror flatters me”, Pushkin wrote of the latter portrait. Blakesley cites a contemporary critic: “The fire of inspiration itself has been depicted on canvas in his features, and the artist has fully conveyed in his gaze the bright ray of high, creative thoughts”.
The ray remains bright to this day, despite the attempts to turn Pushkin into a monument that began straight after his death. When Andrei Sinyavsky, writing as Abram Tertz in Strolls with Pushkin (1975), tried to rescue the poet from officialdom, such irreverences as “Pushkin ran into high poetry on thin erotic legs and created a commotion” caused outrage, with critics accusing the author of “defiling Russia’s national treasure”. What would Pushkin have made of that? In another 1817 poem he claimed:
A poem can never equal

A smile on sensuous lips!"

Anna Aslanyan is a freelance writer and translator,TLS,28 Junho 2017

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Ao Domingo Há Música

 
Bach
No claro silêncio desnudo,
a Geometria dança livremente.

Eu sinto, eu creio, eu canto, e a luz é tanta
que a sala se esboroa por completo
e o céu cobre, em palácio, o mundo inteiro.

Sou a recta sublime que se cumpre
desde o centro da terra ao infinito.
Alberto de Lacerda , "Oferenda I"


A Música e a Poesia  entrelaçam-se e são, por vezes,  a  excelência da completude. Ora uma se basta em palavras , ora outra em melodia, ora se juntam  e  tecem hinos, canções, peças de  insuperável beleza.
A peça que se apresenta, Mass in B minor, de Johann Sebastian Bach (1685-1750),  é uma  magnum opus . Uma obra que nos enleva e nos apela  ao encanto do infinito.
O registo, longo e de alta qualidade, foi feito no Royal Albert Hall, no Prom 26 , em 2 de Agosto de 2012


Prom 26: Bach -- Mass in B minor
Johann Sebastian Bach - Mass in B minor

Joélle Harvey :soprano
Carolyn Sampson: soprano
Iestyn Davies :counter-tenor
Ed Lyon :tenor
Matthew Rose :bass
Choir of the English Concert, The English Concert
Harry Bicket:  Maestro
Royal Albert Hall
2 August 2012

0:00:07 - Kyrie eleison
0:10:33 - Christe eleison
0:15:20 - Kyrie eleison
0:19:06 - Gloria in excelsis Deo
0:25:35 - Laudamus te
0:29:40 - Gratias agimus tibi

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Eventos culturais

EXPOSIÇÃO — A PARTIR DE 7 FEVEREIRO

Fernando Pessoa em Madrid

Museo Reina Sofía


Não é só Pessoa que vai a Madrid. Na exposição Pessoa. Toda a arte é uma forma de literatura (“porque toda a arte é dizer qualquer coisa”, como reza a frase completa que Álvaro de Campos deixou escrita, em 1936, na revista Presença), estarão  também  Almada  Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, Mário Eloy e Sonia Delaunay, entre muitos outros nomes do período modernista português. Trata-se de uma coprodução entre o museu espanhol e a Fundação Calouste Gulbenkian.
SABER MAIS

MÚSICA

Become Ocean

Sexta, 23 Fevereiro, 21:00, Grande Auditório Gulbenkian


Sobem ao palco do Grande Auditório três obras inéditas: Off-balance, de Luís Antunes Pena, uma peça que se inspira na famosa declaração de 2003, em que George W. Bush acusa o Iraque de possuir armas de destruição massiva; Museu das coisas inúteis, de Celso Loureiro Chaves, e ainda Become Ocean, de John Luther Adams.
SABER MAIS

NOTÍCIA

Acesso online ao Arquivo Álvaro Siza

 

Uma primeira parte dos arquivos que o arquiteto Álvaro Siza Vieira doou, em 2014, à Fundação Gulbenkian (a parte restante foi doada à Fundação de Serralves, no Porto, e ao Canadian Centre for Architecture, em Montreal, Canadá), já está disponível online. Não deixe de espreitar.
SABER MAIS

EXPOSIÇÃO — ATÉ  21 MAIO

As Flores do Imperador

Quarta a segunda, 10:00—18:00, Museu Calouste Gulbenkian - Colecção do Fundador

O ponto de partida – e de chegada – da exposição são dois tapetes da Colecção do Fundador, produzidos na Índia Mogol. Pelo meio, percorrem-se bolbos, manuscritos, desenhos, pinturas e outros objectos decorativos que mostram o diálogo que se estabeleceu, a partir do século XVI, entre o Oriente e o Ocidente.
SABER MAIS

EVENTO

Eu Maior

Terça, 20 Fevereiro, 15:00, Grande Auditório, Entrada gratuita mediante levantamento de bilhete

Um espectáculo multidisciplinar onde as crianças são as estrelas principais e as fragilidades se transformam em superpoderes: é este o resultado do projecto Geração SOMA, que trabalhou com cerca de 1200 crianças de escolas do ensino básico e secundário, entre 2016 e 2017, algumas das quais com Necessidades Educativas Especiais. O projecto foi apoiado na segunda edição do PARTIS – Práticas Artísticas para a Inclusão Social, da Fundação Gulbenkian.
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Fotografia de Diogo Oliveira

JARDIM 

Ave do mês: Chapim-carvoeiro

 

O Chapim-carvoeiro é uma pequena insectívora, reconhecível pela cabeça preta com faces brancas e uma mancha da mesma cor na nuca. Apesar de ser uma ave associada a ambientes florestais, surge por vezes em parques e jardins urbanos e é uma das espécies mais comuns em diversos pinhais das regiões norte e centro de Portugal. 

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O Museu Regional de Beja e a Câmara Municipal de Beja inauguram amanhã, dia 6 de Fevereiro, pelas 18:00h, no Núcleo Visigótico do Museu Regional de Beja (Igreja de Santo Amaro), a exposição “História da Escrita no Baixo Alentejo”. Esta exposição é uma iniciativa da Rede de Museus do Baixo Alentejo, que integra a Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL), e pretende mostrar a evolução da escrita, neste território, ao longo da história.

No sudoeste peninsular a escrita desenvolve-se há mais de 2500 anos sendo que, na sua génese, esta se encontra quase exclusivamente nos monumentos funerários. Os primeiros sistemas de escrita surgem no Oriente há mais de 5000 anos. No entanto, o nosso alfabeto tem a sua origem no Fenício, criado há cerca de 3000 anos, o que propiciou o desenvolvimento neste território, especialmente no sul do Alentejo e Algarve, de uma escrita designada como “escrita do sudoeste”. O Império Romano vem introduzir grandes transformações e deixa importantes marcas, não só nos vestígios arqueológicos e nos objectos, como também na escrita com a introdução dos caracteres latinos. Posteriormente, a extensão do domínio islâmico ao Al-Ândalus deixou importantes vestígios que não se resumem só aos suportes em pedra mas se encontram também noutros materiais como a cerâmica e o osso, sendo a maior parte dos textos marcados por um forte conteúdo religioso, transcrevendo com frequência passagens do Corão.
No Mundo Moderno, a escrita ganha novos suportes e inventa-se a imprensa o que permite revolucionar a difusão da informação e replicação dos documentos. No entanto, ao longo dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX, a maioria dos documentos, públicos ou privados, são ainda manuscritos. Nos séculos XIX e XX divulga-se progressivamente a máquina de escrever e a escrita ganha uma maior uniformidade e rapidez de produção assistindo-se, na segunda metade do século XX, a um tremendo avanço tecnológico onde o suporte material dá lugar ao suporte virtual.
A exposição estará patente ao público até ao dia 25 de Fevereiro de 2018, de segunda a sexta feira, das 9:30h às 12:30h e das 14:00h às 17:00h.

Padrão dos Descobrimentos recebe a mostra "A espantosa variedade do Mundo"

Uma exposição sobre seres extraordinários e criaturas maravilhosas, com curadoria de Palmira Fontes da Costa e Adelino Cardoso.
A espantosa variedade do Mundo propõe uma reflexão científica, sobre o insólito - associado ao desconhecido, à diferença e à raridade -, sobre seres extraordinários de hoje e de outros tempos, através de objectos, desenhos fantasiosos ou representações a partir do real.
O mundo, natural e social, é fonte permanente de espanto, seja pela regularidade da sua ordem, seja pela surpresa da diferença.
O espanto e a raridade, assim como o desconhecido, convocam a imaginação e alargam o mundo para além do real.
Enquanto figura de alteridade, a figura que reflete o outro, aquele que desconhecemos e que imaginamos, o “monstro” surge com particular destaque na literatura de viagens. São "monstros" as Sereias d’A Odisseia de Homero, mas são-no também os povos de estranhos costumes nas terras longínquas visitadas, a Oriente, por Marco Polo,  e é o Mostrengo quem guarda o mar a navegar. A orla do mundo, a orla marítima, a margem que separa a terra firme do desconhecido, é habitada por criaturas extraordinárias. 
Se o desconhecido convoca monstros e seres maravilhosos, o conhecimento e a ciência, olham-os com curiosidade e questionamento. A diferença surge de uma anomalia ou de uma riqueza multifacetada? A partir do séc XIX os prodígios de outrora desmistificam-se dando espaço a outros, sejam eles manipulados em laboratório, sejam aqueles que continuam a habitar as margens do desconhecido, as margens da técnica e do engenho humano.
Exposição comissariada por Palmira Fontes da Costa (CIUHCT/Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa) e Adelino Cardoso (CHAM/ Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa).
Colaboração Fundação Champalimaud
De terça a domingo, das 10:00 às 18:00 (última entrada às 17:30). 
Cinemateca
Histórias do Cinema: Jean-Pierre Verscheure - A História dos Formatos
Um panorama histórico dos formatos do cinema incluindo formatos de película cinematográfica e proporções de imagem.
Ao fim de vários anos de programação regular das séries de sessões “Histórias do Cinema”, damos agora início a um novo ciclo desta rubrica, que será marcado por uma maior diversidade temática.
Para arrancar as séries deste ano, e tendo também em conta o contexto ditado pelo Ano Europeu do Património Cultural organizamos uma primeira viagem em torno das relações históricas da arte cinematográfica com a sua base material, ou o que foram até hoje algumas das suas principais condicionantes materiais. Neste outro âmbito, e no que será a primeira de duas edições apresentadas pelo mesmo conferencista, é nosso convidado o historiador, coleccionador e restaurador Jean-Pierre Verscheure – grande especialista da história da tecnologia e das técnicas do cinema, hoje responsável pelo laboratório de restauro de som Cinévolution, com sede na Bélgica.
Ao longo de uma semana, Jean-Pierre Verscheure irá traçar a evolução histórica do cinema ao nível dos vários formatos de imagem, não apenas numa abordagem técnica mas relacionando esta com as suas implicações na gestão do espaço de um filme e, mais geralmente, na mise-en-scène.
Abordar-se-ão assim parâmetros essenciais que, tendo a ver com a tecnologia e a economia do cinema, são estruturantes para a linguagem e a expressão estética. A esta, seguir-se-á em data exacta a anunciar, uma segunda edição, na qual Jean-Pierre Verscheure abordará a evolução tecnológica do som e as suas relações com a linguagem das imagens em movimento.
Sessões-conferência por Jean-Pierre Verscheure, em inglês.
Consulte aqui o programa

Bienal de Cerveira convida público a comemorar os 40 anos
Visitas comentadas às exposições e “40 anos, 40 artistas” são as actividades que a Fundação Bienal de Arte de Cerveira promove já este mês de Fevereiro e de Março, convidando o público a participar nas comemorações das quatro décadas da Bienal Internacional de Arte de Cerveira. 
Com o objectivo de dar a conhecer a sua Colecção, a Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC) promove, a partir de 19 de Fevereiro, o projecto “40 anos, 40 artistas”, onde semanalmente será dado destaque a um autor e uma obra de arte. A partir destes elementos será apresentada uma narrativa com a contextualização no tempo e no espaço, e serão levantadas hipóteses de análise do objecto e dos seus sentidos. A peça estará em exposição no Fórum Cultural de Cerveira e os conteúdos serão divulgados nas diversas plataformas online da FBAC, assinalando assim, o aniversário da bienal de arte mais antiga do país.
Partindo da arte e pensamento contemporâneos será ainda promovido, entre Março e Julho, um programa de visitas comentadas às exposições patentes no Fórum Cultural de Cerveira, assim como às obras de arte com presença no espaço público de Vila Nova de Cerveira.
Segundo o Presidente da FBAC, Fernando Nogueira, “propõe-se aos visitantes que façam parte da programação, que procura um diálogo aberto e uma reaproximação histórica e física com a Colecção do Museu Bienal de Cerveira, dentro do cenário artístico português e internacional das últimas quatro décadas”.
As visitas decorrerão aos sábados, às 11h00, e serão dinamizadas por Helena Mendes Pereira. A entrada é gratuita mas encontra-se sujeita a inscrição prévia até 72 horas antes de cada sessão (geral@bienaldecerveira.pt).
Programa:

  • 10 de Março | Visita comentada à exposição “Pintura em três Atos: Ângelo de Sousa, Gerardo Burmester e Marcos Covelo”
  • 24 de Março | Visita comentada à exposição "Serendipidade" de Polliana Dalla Barba, do “Concurso Novos Artistas 2018”
  • 21 de Abril | Visita comentada à exposição “Encontro de performers – Obras da Colecção sobre o tema e novas propostas”
  • 12 de Maio | Visita comentada à exposição de Marco Moreira, do “Concurso Novos Artistas 2018”
  • 26 de Maio | Visita comentada à exposição “Encontro de performers – Obras da Colecção sobre o tema e novas propostas”
  • 9 de Junho | Visita comentada à exposição de Rui Horta Pereira, do “Concurso Novos Artistas 2018”
  • 23 de Junho | Visita comentada às obras de arte em espaço público (Parte I)
  • 14 de Julho | Visita comentada às obras de arte em espaço público (Parte II)
Ignácio de Loyola Brandão
Prémio Correntes d'Escritas já tem 14 finalistas
O festival literário da Póvoa de Varzim abre no dia 21 de Fevereiro com o anúncio do prémio principal, que este ano irá para a ficção. A conferência inaugural desta 19.ª edição caberá ao escritor brasileiro Ignácio de Loyola Brandão.
A 19.ª edição do festival Corrente d’Escritas inicia-se no próximo dia 21 de Fevereiro na Póvoa de Varzim com o anúncio do vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa – foram divulgados esta quarta-feira os 14 finalistas –, e a habitual conferência inaugural, confiada ao escritor brasileiro Ignácio de Loyola Brandão, e que será na verdade uma palestra-concerto, com o autor a fazer-se acompanhar pelo músico Edson Alves e pela cantora Rita Gullo, sua filha, com quem vem apresentando há anos Solidão no Fundo da Agulha, um livro que se transformou num espetáculo.
Depois de Armando Silva Carvalho ter recebido o prémio Casino da Póvoa em 2017, poucos meses antes de morrer, pelo volume de poemas A Sombra do Mar, o principal galardão do Correntes d’Escritas cumprirá a tradicional regra de alternância de géneros literários e será atribuído em 2018 a um livro de ficção. Fernando Pinto do Amaral, José Mário Silva, Maria de Lurdes Sampaio, Teresa Martins Marques e Javier Rioyo, director do Instituto Cervantes em Lisboa, compõem o júri que terá de escolher o vencedor entre os 14 títulos que chegaram à final.
short list é extensa e contempla escritores de várias gerações e nacionalidades: Rentes de Carvalho, com O Meças, Jaime Rocha (Escola de Náufragos), Ana Teresa Pereira (Karen, vencedor do prémio Oceanos), Isabela de Figueiredo (A Gorda), Bruno Vieira Amaral (Hoje Estarás Comigo no Paraíso), Ana Margarida de Carvalho (Não se Pode Morar nos Olhos de Um Gato, vencedor do Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores), João Ricardo Pedro (Um Postal de Detroit), Djaimilia Pereira de Almeida (Esse Cabelo), João Pedro Porto (A Brecha), o moçambicano João Paulo Borges Coelho (Água), o brasileiro Julián Fuks (A Resistência), os espanhóis Enrique Vila-Matas (Marienbad Eléctrico) e Juan Marsé (Essa Puta tão Distinta) e o colombiano Juan Gabriel Vásquez, com A Forma das Ruínas.
Como tem acontecido nas últimas edições, o cenário da sessão oficial de abertura, no dia 21, será o Casino da Póvoa, e o festival propriamente dito decorrerá depois, até dia 24, no Cine-Teatro Garrett, com uma programação que inclui, entre muitas outras actividades, dez mesas-redondas.  A primeira está marcada logo para o dia da inauguração, às 17h30, e reunirá os poetas e ensaístas Ana Luísa Amaral e Fernando Pinto do Amaral, a poetisa Filipa Leal, a jornalista e escritora Maria Antónia Palla e  o poeta cabo-verdiano Arménio Vieira, vencedor do Prémio Camões, numa conversa que terá como mote “Hoje são estas as palavras, amanhã não sei”.
Entre os intervenientes nestas mesas-redondas, cujos tópicos deliberadamente desconcertantes, provocatórios ou paradoxais são já uma marca do festival, contam-se autores (muitos deles presenças habituais no Correntes d’Escritas) como Mário Zambujal, Onésimo Teotónio Almeida, Luís Sepúlveda, Miguel Real, Ana Margarida de Carvalho, Afonso Cruz, Bruno Vieira Amaral, Rodrigo Guedes de Carvalho, Valério Romão, João Tordo, Isabel Rio Novo, Kalaf Epalanga, Isabel Lucas ou os poetas Uberto Stabile, José Luiz Tavares e Daniel Jonas.